domingo, 6 de maio de 2012
Batizado marcado,pois eu poderia morrer sem as bênçãos de Deus.Mamãe acreditava em mim.Cuidou de mim do jeito que aprendeu e com sua intuição materna e muita fé,principalmente nas rezas de vovó.Sua mãe sempre por perto para ter certeza que eu estava bem.Deus era aclamado sempre pela família o tempo todo.Fiquei gordinha,cresci,também fui guerreira.,depois que fiz dois anos,minha mãe engravidara de novo...mas, coitada nasceu morta a criança.ou seja natimorto.Acredito que ela sofreu muito,mas a pobreza em que viviam não lhes permitiam frescuras.A vida continuava.Havia necessidade de trabalharem e colocarem comida à mesa.Egoliram cada um a sua dor e foram cuidar de suas vidas.Enquanto isso fomos crescendo, Coralina e Maria das Graças. Papai resolveu mudar para um sítio,onde fosse mais perto da cidade,onde mais tarde poderíamos estudar sem grandes sacrifícios! Mudamos.Minha mãe com máquina de costura de pedal ,costurava sem cessar,papai Antonio cuidava do curral,do canavial,do quintal da nossa casa.Ele nunca deixou de plantar uma horta,pés de frutas variadas e como não podia faltar as galinhas e os porcos,fontes de proteínas da família,éramos felizes dentro da nossa realidade.Gênio mais forte ,o da minha mãe,meu pai nem tanto,um pouco boêmio,um pouco que nada,bastante.Havia baile todo final de semana.Pegava sua sanfona de marca italiana e saía para atender os chamados para as festivas correntes.Claro que minha mãe nos levava.Nós nos divertíamos muito.Corríamos entre os adultos,brincávamos de pique de esconder até cansarmos e dormirmos no cesto que papai tecia com taquara que o povo da cidade dava o nome de Moisés.,na roça o nome é balaio mesmo,rs.Os anos foram passando,passando e chegou o grande dia!Levar as filhas à escola primária estadual do distrito,uma escola como todas da época ,simples,porém ampla e com área de lazer,onde a professora ,era a figura principal da sociedade,pois através dela o mundo escuro era transformado em luz,saber,disciplina,respeito,encorajamento.Agora,viver em sociedade é complicado,porque papai não foi feliz com sua professora,ele nos contava que apanhava muito na escola,com isso foi pegando birra e saiu na terceira série,abandonou o curso primário e foi trabalhar na roça,virou agricultor,na minha opinião uns dos melhores;já minha mãe nem tanto,por ter gênio forte,ninguém tirava onda com ela,pois o troco viria na hora.Maria esquentada,todos diziam,inclusive seus irmãos!Além dela, mais cinco irmãos!!!!!!!!!!!Vovô enérgico descendência portuguesa,falava enrolado, e nervoso então?Todos o respeitavam,principalmente seus filhos.Ele viveu e morreu analfabeto,mas era um exímio carpinteiro.Herdou fazenda,terras mas perdeu tudo,pelo fato de não saber ler,tentou aprender nas horas vagas,mas não conseguiu,com isso foi vítima de homens espertos,que naquela época nos anos 30 a 40,década difícil,terra de ninguém,o mais forte sempre levava o melhor,assim meus avós foram vivendo aqui e ali.Até ser reconhecido pela sua honestidade e talento,levaram-se muitos anos.Voltando então ao nosso primeiro dia de aula,nós ficamos apreensivas até aí,normal,mas minha mãe não pensava assim,ela tinha experiência no assunto ,filhos de pobres ,eram tratados....de um jeito,filhos de fazendeiros e comerciantes de outro....Ficou conosco nos assistindo do corredor até o horário final,até acostumarmos com a nova realidade.Tivemos experiências boas,ruins,como todo iniciante ao novo mundo.Agora era tudo ou nada.Papai dizia que escola era um lugar perigoso,estranho,mas em fim tínhamos que passar por ali querendo ou não.Nós tivemos professoras boas,estranhas,bravas,exigentes,velhas,novas e por aí ...Chegou uma professora nova,mas de idade meio avançada,esperando a aposentadoria,foi aí que o bicho pegou.Já,já,eu te conto ...me aguarde.
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